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Fala My Friends! Como vocês estão? Quanto tempo!

Conversando com alguns amigos, pastores, psicólogos e liderados observei a importância da paternidade e o quanto a falta dela traz danos para os filhos, pensando nisso e nas histórias que ouvi, decidi escrever essa carta juntando algumas histórias que ouvi de filhos e filhas que sofreram com a ausência do pai. Essa carta expressa um pouco para os pais, como os filhos se sentem.

“Olá pai! Tudo bem? Sou eu sua filha

Talvez você nunca receba essa carta, mas gostaria de escrever essas palavras porque descobri que isso me faz bem. Lembro do dia que você foi embora, eu tinha 6 anos, eu acordei assustada, você estava com 2 malas, te perguntei aonde você iria, você falou que precisava ir embora, eu fui trocar minha roupa para ir com você, mas você disse que não poderia me levar e que outro dia você voltaria para me buscar.

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No começo não entendi muito bem o fato de você morar em outro lugar e ver a mamãe sempre dormindo sozinha e muitas vezes eu dormindo com ela na cama, você me levava para passear no começo e apesar de ser diferente, eu gostava, adorava ficar com você. Só que de repente tudo mudou, ficava ansiosa para chegar o final de semana para te encontrar, mas recebi a notícia que você não viria naquele fim de semana, isso se repetiu por muitas vezes, nossos encontros que eram semanais se tornaram mensais e depois te via pouquíssimas vezes, comecei a perguntar a mim mesma se havia feito algo de errado, minha mãe tentava me consolar, via ela se esforçando para me explicar porque você não vinha mais aos meus aniversários. O tempo passou e você formou uma nova família, minha irmãzinha nasceu e o que estava ruim só piorava, via minha mãe chorando e brigando com você para que eu pudesse ter uma escola de qualidade, mas você fazia questão de cada centavo, tentava entender o porquê e não conseguia. Você fazia viagens com sua nova família, europa, Disney e eu nunca era convidada. Como isso me machucava pai, eu já tinha 11 anos, perguntava a mamãe o porquê de você não me amar mais, mas mamãe sempre tentava não me colocar contra você e dizia que você estava trabalhando, eu nunca mais fui a sua casa depois que você casou de novo e as brigas pelo dinheiro continuavam. Agora só te via nas datas comemorativas. No natal, ganhava um presente da sua esposa e quando nos encontrávamos você sempre fazia questão de falar mal da mamãe e falar que sempre você estava sem dinheiro, eu era uma criança pai, não queria saber de dinheiro, eu queria era ficar com você, voltar a ser sua princesinha, mas nunca mais aconteceu. Cheguei ao ensino médio e vi todas as minhas amigas comemorando seus quinze anos e achei que comigo não seria diferente, mas infelizmente novamente você não deu muita importância, afinal você estava apertado novamente financeiramente, minha mãe fez o máximo que podia para me dar uma festa e deu, acho que depois disso algo mudou dentro de mim, fiquei revoltada e falei que nunca mais precisaria de você de novo e que conseguiria viver sem você, não me importava mais se você não ligasse ou falasse comigo. Fiz muitas coisas, me entreguei a alguns garotos na esperança de que pudesse encontrar alguém que pudesse cuidar de mim, mas novamente não deu certo, fui ficando dura, percebi que estava totalmente bloqueada para receber qualquer tipo de afeto.

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Quando completei 17 anos minha vida mudou, tive um encontro com Jesus e me tornei uma nova pessoa, mas a mágoa que trazia de você continuava, então um dia conversando com o pastor, não aguentei e chorei, acho que urrei de dor, não conseguia guardar toda essa tristeza e dor dentro de mim e o pastor falou exatamente o que não queria ouvir, ele disse que eu precisava te perdoar e colocar essa dor para fora, parece que vi minha vida desde os 6 anos passar diante de mim, lembrei-me das cartinhas que fiz para você e que você nunca disse nada, dos abraços que nunca recebi de você, as vezes que você mentiu dizendo que estava trabalhando, mas eu descobria que na verdade você estava viajando com sua nova família, o “eu te amo” que nunca mais ouvi de você, as visitas a sua casa que nunca fiz, porque você nunca me chamou, das brigas por causa de dinheiro, dos aniversários que você não foi, do meu tamanho de roupa que você sempre escolhia errado porque afinal você não me conhecia de verdade. Não conseguia parar de chorar, tentava, mas não conseguia, ele orou comigo e me disse que eu precisava falar com você, questionei que era você que tinha que vir falar comigo, mas então o pastor me fez lembrar do que Jesus fez por mim, me mostrou o seu perdão e decidi tentar. Admito que só consegui fazer isso depois de 6 meses, mas consegui, apesar de muitas vezes não conseguir falar direito por conta do meu choro, eu falei, desabafei, vi você também emocionado, mas sempre se defendendo falando que você também havia sofrido com o divórcio, que foi muito difícil para você, que eu tinha que pensar no seu lado, falou também que parei de te procurar, mas pai eu estava ferida, com raiva, tinha ciúme de você, eu fui deixada de lado, admito que fiquei decepcionada. Como pensar no seu lado? – Pai eu era uma criança, os adultos eram você e mamãe, EU ERA UMA CRIANÇA! Mas não adiantava você não cedeu, pedi perdão pelo ódio e raiva que guardei e vi você também meio sem jeito pedindo perdão, apesar de tudo me senti mais leve e em paz, sabia que essa era a vontade de Deus, por um tempo até pensei que seria diferente, mas não mudou muito da sua parte, mas eu sim, descobri em Deus um Pai perfeito, um Pai que não me abandonaria, que sempre me veria como uma princesa.

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Para fazer faculdade novamente tive dificuldade e vi minha mãe ter que entrar na justiça para você continuar a me dar pensão, tentei outras conversas, mas nada mudou, o tempo passou eu me casei, você me levou ao altar e como isso me fez feliz, mas mesmo tão perto você parecia distante. Deus me deu um homem maravilhoso, mas trazia muitos traumas, tive medo de casar e quando casei percebi que comecei a exigir do meu marido algo que ele não podia me dar, ele não era meu pai, como ele foi paciente comigo e vi Deus o usando para curar as feridas que trazia comigo, ele me elogiava, abraçava, me amava e apesar de perceber que as vezes minhas feridas me atrapalham sei que o Senhor tem me tratado.

Como disse no começo não tenho a pretensão que você leia essa carta, mas quero aproveitar e falar a todos os pais que estão lendo: – Amem seus filhos!!!

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Quando você trai a sua esposa, você não está traindo só a ela, você está destruindo a vida dos seus filhos, o divórcio tem arruinado milhares de vidas. Pais, seus filhos são crianças, então os tratem como crianças, eles são os que mais sofrem na separação, se quiserem casar de novo tudo bem, mas lembrem-se que vocês têm alguém que é de sua responsabilidade e que não precisa só de dinheiro, mas afeto, amor e cuidado. Pais, os filhos são frutos do meio em que vivem, se eles são difíceis, desobedientes, mimados, etc. Vocês têm uma parcela de responsabilidade nisso, e, filhos eu deixo um conselho para vocês: se seu pai tem uma dívida com você, você terá duas opções: ou você cobra ou você perdoa. Perdoe!!! Eu posso te garantir que não há nada mais difícil, mas também não há nada melhor do que perdoar essa dívida e se sentir livre. Deus abençoe a todos que estão lendo essa carta.”

Quero deixar uma musica do Ao Cubo que descreve muito bem a realidade de quem cresce sem um pai.

Até a próxima my friends!

Rubem Cruz Jr.

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